Vivemos numa sociedade em que usar o sofrimento de animais Ă© puro entretenimento porque “Ă© tradiĂ§Ă£o”. Vivemos numa sociedade em que se ...

 
Vivemos numa sociedade em que usar o sofrimento de animais Ă© puro entretenimento porque “Ă© tradiĂ§Ă£o”. Vivemos numa sociedade em que se acha que Ă© super saudĂ¡vel deixar crianças - que ainda nem deram os primeiros passos - viciar-se nas tecnologias, como tablets, smartphones e computadores. Vivemos numa sociedade em que o bullying Ă© aceitĂ¡vel atĂ© se tornar pĂºblico. Vivemos numa sociedade que nos faz temer pela nossa vida cada vez que saĂ­mos de casa ou andamos sozinhos Ă  noite. Vivemos numa sociedade em que rebaixar os outros para conseguir o que se quer se tornou tĂ£o banal. Vivemos numa sociedade em que se dĂ¡ mais razĂ£o aos alunos do que aos professores. Vivemos numa sociedade em que se vĂª casais a fazer figuras tristes em plena rua. Vivemos numa sociedade em que o que lidera sĂ£o as redes sociais e tudo o que Ă© escrito lĂ¡ Ă© lei. Vivemos numa sociedade em que ensinar Ă s crianças a dizer asneiras Ă© lindo porque ficam muito fofinhas a dizer aquilo – ou entĂ£o nĂ£o. Vivemos numa sociedade em que se destrĂ³i o ambiente para publicitar um local e ganhar mais dinheiro com isso. Vivemos numa sociedade que demorou anos e anos a perceber que os homossexuais devem ter os mesmos direitos que todos. Vivemos numa sociedade em que as pessoas se atiram para a frente dos carros e fingem ter sido um acidente, sĂ³ para ganhar dinheiro. Vivemos numa sociedade em que nĂ£o importa passar fome, desde que se tenha uma casa vistosa, umas roupas catitas, uns carros topo de gama e uns telemĂ³veis do mais recente que hĂ¡. Vivemos numa sociedade em que Ă© raro ver-se um adolescente a dar lugar a um idoso num transporte pĂºblico. Vivemos numa sociedade em que o que lidera as empresas, os tribunais, e atĂ© mesmo o governo, Ă© a corrupĂ§Ă£o e a ganĂ¢ncia. Vivemos numa sociedade em que a hipocrisia Ă© julgada mas, ainda assim, estĂ¡ no topo dos defeitos das pessoas. Vivemos numa sociedade em que o rabo de uma celebridade Ă© mais falado do que o facto de se ter conseguido pousar uma sonda num cometa. Vivemos numa sociedade em que se acha que nĂ£o hĂ¡ mal nenhum dizer a outra pessoa para se matar. Vivemos numa sociedade que Ă© bem capaz de passar por uma pessoa a fazer mal a outra e continuar a andar, fingindo que nada viu e que nada se passou.

“I mean, why have a civilization anymore if we no longer are interested in being civilized?”

A Margarida colocou mais duas questões: 1. Qual é +/- a média para entrar em Biologia? A média de Biologia varia um pouco de faculdad...

A Margarida colocou mais duas questões:
1. Qual é +/- a média para entrar em Biologia?
A mĂ©dia de Biologia varia um pouco de faculdade para faculdade. Deixo aqui as mĂ©dias (1ª e 2ª fase) das universidades pĂºblicas correspondentes ao ano passado:

Universidade dos Açores - 1ª fase: 120.8 / 2ª fase: 112.0
Universidade do Algarve - 1ª fase: 109.4 / 2ª fase: 104.2
Universidade de Aveiro - 1ª fase: 140.0 / 2ª fase: 139.2
Universidade de Coimbra - 1ª fase: 135.0 / 2ª fase: 132.0
Universidade de Évora - 1ª fase: 118.0 / 2ª fase: 115.0
Universidade de Lisboa (Faculdade de CiĂªncias) - 1ª fase: 145.0 / 2ª fase: 142.5
Universidade de Lisboa (Instituo Superior de Agronomia) - 1ª fase: 128.8 / 2ª fase: 128.3
Universidade do Porto - 1ª fase: 145.0 / 2ª fase: 143.5
Universidade de TrĂ¡s-os-Montes e Alto Douro - 1ª fase: 125.9 / 2ª fase: 126.2

As mĂ©dias variam um bocado porque correspondem Ă  nota de candidatura da pessoa a preencher a Ăºltima vaga, ou seja, nota do Ăºltimo candidato.
Podes também consultar médias de outros cursos aqui.

2. Em que universidade estĂ¡s a estudar?
Estou a estudar na UTAD (Universidade de TrĂ¡s-os-Montes e Alto Douro).

Um anĂ³nimo colocou quatro dĂºvidas sobre Biologia e eu achei que seria melhor responder num post. Ora, comecemos: 1. Qual Ă© as percentage...

Um anĂ³nimo colocou quatro dĂºvidas sobre Biologia e eu achei que seria melhor responder num post. Ora, comecemos:
1. Qual Ă© as percentagens para o curso de Biologia?
Depende. Depende da faculdade a que queres candidatar-te. HĂ¡ umas que pedem 50% prova de ingresso / 50% mĂ©dia do secundĂ¡rio, enquanto outras pedem 35% prova de ingresso / 65% mĂ©dia do secundĂ¡rio e pode haver ainda mais variações. É uma questĂ£o de pesquisar. Normalmente diz no prĂ³prio site da faculdade, juntamente com outras informações do curso.

2. Diz-me um pouco das cadeiras que tens em Biologia.
Aviso desde jĂ¡ que o plano de estudos varia de faculdade para faculdade, hĂ¡ cadeiras completamente diferentes numa universidade e noutra. Eu vou dizer o plano de estudos da faculdade que frequento, ou seja, o MEU plano de estudos.

Ora bem, o meu primeiro semestre foi praticamente todo para aprofundar conhecimentos que vamos precisando ao longo do curso. Por isso eu tive BiomatemĂ¡tica, Biologia Celular, QuĂ­mica, BiofĂ­sica e, por fim, Geologia. A BiomatemĂ¡tica Ă©, nada mais nada menos, do que a continuaĂ§Ă£o da matemĂ¡tica do secundĂ¡rio. Biologia Celular Ă©, como o prĂ³prio nome indica, a biologia das cĂ©lulas, e Ă© uma cadeira essencial para perceber fenĂ³menos que acontecem… visto que a cĂ©lula Ă© a unidade fundamental da vida. Saber como elas funcionam Ă© sempre Ă³timo. QuĂ­mica foi um aprofundamento da matĂ©ria do secundĂ¡rio, tambĂ©m. É importante perceber para cadeiras que se tem mais para a frente, como BioquĂ­mica Estrutural no segundo ano. BiofĂ­sica Ă© fĂ­sica aplicada Ă  Biologia. É muito importante tambĂ©m para perceber certos mecanismos, perceber o porquĂª das coisas acontecerem de uma maneira e nĂ£o de outra. A cadeira que menos gostei foi Geologia e, para mim, foi tambĂ©m a mais inĂºtil do semestre! E do ano! E do curso! Ainda nĂ£o percebi a intenĂ§Ă£o de Geologia estar a ser lecionada no curso de Biologia, mas pode ser que algum dia entenda. Geologia foi, tal como QuĂ­mica, uma cadeira para aprofundar conhecimentos do secundĂ¡rio, nĂ£o hĂ¡ muito mais de novo.

No meu segundo semestre entrei mais na Biologia propriamente dita, depois dos conhecimentos bastante aprofundados. Tive BioestatĂ­stica, Biologia dos Anacordados, Embriologia e Histologia Animal, MorfogĂ©nese Vegetal e GenĂ©tica Geral. BioestatĂ­stica Ă©, sem tirar nem por, EstatĂ­stica com um “Bio” para associar ao curso. Entra-se no campo das probabilidades, das distribuições e das inferĂªncias. Biologia dos Anacordados - sim, podem gozar um bocadinho com o nome, quem nunca o fez? “Anacordados” Ă©, muito basicamente, um sinĂ³nimo de “invertebrados”, ou seja, em Biologia dos Anacordados estudam-se alguns dos milhões de animais invertebrados que por aĂ­ existe; desde a sua classificaĂ§Ă£o taxonĂ³mica Ă  sua morfologia, locomoĂ§Ă£o e alimentaĂ§Ă£o, entre outros aspetos. No segundo ano hĂ¡ Biologia dos Cordados, onde se foca os vertebrados. Embriologia e Histologia Animal… ora bem, esta cadeira estĂ¡ dividida em duas partes; a Embriologia Animal e a Histologia Animal. Na primeira parte fala-se do desenvolvimento do embriĂ£o atĂ© ser feto, aprende-se a observar as diferenças entre um embriĂ£o com 24h e 33h – por exemplo - de diferentes animais, distingue-se os tipos de placentas que hĂ¡, ... Basicamente, segue-se de perto o desenvolvimento embrionĂ¡rio tendo atenĂ§Ă£o a cada caracterĂ­stica que difere aqui ou ali neste ou naquele animal. A Histologia Animal estĂ¡ mais relacionada com os tecidos, e consiste em saber as caracterĂ­sticas e funções de cada um deles e seus constituintes. Estuda-se tecidos como tecido sanguĂ­neo, tecido adiposo, tecido conjuntivo e tecido epitelial. Dentro destes grupos insere-se, mais especificamente, o tecido muscular, tecido do sistema reprodutor masculino e feminino, medula espinal, cĂ©rebro, pele, entre muitos outros. MorfogĂ©nese Vegetal estĂ¡ relacionada com plantinhas, a sua formaĂ§Ă£o, caracterĂ­sticas, funcionamento, … Fala-se de hormonas, fotomorfogĂ©nese, tropismos, nastias,  floraĂ§Ă£o, crescimento e maturaĂ§Ă£o dos frutos, germinaĂ§Ă£o, e muito mais. Por fim, tive GenĂ©tica Geral; Ă© uma cadeira onde se retrata GenĂ©tica de uma forma mais geral, dĂ¡-se um pouco de cada tema – como genĂ©tica de populações, genĂ©tica quantitativa e citogenĂ©tica – mas nĂ£o se aprofunda tanto como se podia aprofundar. Mas faz todo o sentido, porque no segundo ano, por exemplo, hĂ¡ uma cadeira que aprofunda a GenĂ©tica Molecular! GenĂ©tica Geral Ă© o bĂ¡sico da GenĂ©tica.

Volto a repetir: isto Ă© o meu plano de estudos. É diferente de faculdade para faculdade. Por exemplo, um rapaz do meu curso esteve a estudar no Algarve e tinha Biologia dos Anacordados e Cordados numa sĂ³ cadeira, enquanto que na universidade que frequento estas cadeiras sĂ£o dadas separadamente.

3. JĂ¡ li num post teu que a tua cidade universitĂ¡ria nĂ£o Ă© a mesma que a cidade onde vives… PorquĂª?
A resposta Ă© fĂ¡cil: foi opĂ§Ă£o minha. Sendo Biologia um curso espalhado por todo o paĂ­s, eu decidi que nĂ£o queria ficar na minha cidade quando podia estar longe das pessoas que, naquela altura, estavam a fazer-me mal. Optei por me afastar daquilo que estava a destruir-me aos bocadinhos dia apĂ³s dia. É essa a razĂ£o pela qual a minha cidade nĂ£o Ă© a mesma que a minha cidade universitĂ¡ria. Posso dizer que foi das melhores coisas que fiz atĂ© agora.

4. Fica muito caro estudar longe de casa?
Fica mais caro do que estudar perto de casa, obviamente. Eu, por exemplo, como quase todos os que conheço, venho a casa quase todos os fins de semana e pago pela viagem de camioneta pouco mais de 8€. Volto para a minha cidade universitĂ¡ria e pago mais 8€. SĂ³ nas viagens gasta-se muito, no entanto fica muito mais barato do que ir de carro, Ă³bvio. Os preços das viagens diferem consoante a distĂ¢ncia da cidade para a qual se pretende ir.
AlĂ©m disso hĂ¡ tambĂ©m o drama de arranjar casa. Eu fiquei nas residĂªncias universitĂ¡rias, por ser o primeiro ano e eu ainda estar a ambientar-me. Provavelmente vou continuar lĂ¡, atĂ© porque gostei muito. No entanto, hĂ¡ quem prefira ficar numa casa ou num quarto alugado. Claro que se eu estivesse perto de casa nĂ£o teria de me preocupar com o facto de chegar ao fim do mĂªs e ter de pagar o alojamento! Ou seja, Ă© mais uma despesa.
A juntar a isso temos as refeições. Nas residĂªncias universitĂ¡rias da minha faculdade nĂ£o hĂ¡ fogĂ£o nas cozinhas, por motivos de segurança. HĂ¡ micro-ondas onde as pessoas conseguem cozinhar algumas coisitas, e depois hĂ¡ pessoas como eu que preferem ir Ă  cantina das residĂªncias comer. Por uma refeiĂ§Ă£o com prato, sopa e sobremesa paga-se 3€… agora imagine-se isto ao almoço e jantar durante cinco dias. Fica caro, sem dĂºvida! Quem aluga casas tem o facilitismo de poder cozinhar com fogĂ£o, sem qualquer problema, por isso poupa mais nesse aspeto.

NĂ£o me estou a lembrar de mais coisas que possa dizer, mas espero que tenha ajudado pelo menos em alguma coisa!