Sociedade...
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Vivemos numa sociedade em que usar
o sofrimento de animais é puro entretenimento porque “é tradição”. Vivemos numa
sociedade em que se acha que é super saudável deixar crianças - que ainda nem
deram os primeiros passos - viciar-se nas tecnologias, como tablets,
smartphones e computadores. Vivemos numa sociedade em que o bullying é
aceitável até se tornar público. Vivemos numa sociedade que nos faz temer pela
nossa vida cada vez que saímos de casa ou andamos sozinhos à noite. Vivemos
numa sociedade em que rebaixar os outros para conseguir o que se quer se tornou
tão banal. Vivemos numa sociedade em que se dá mais razão aos alunos do que aos
professores. Vivemos numa sociedade em que se vê casais a fazer figuras tristes em plena rua. Vivemos numa sociedade em que o que
lidera são as redes sociais e tudo o que é escrito lá é lei. Vivemos numa
sociedade em que ensinar às crianças a dizer asneiras é lindo porque ficam
muito fofinhas a dizer aquilo – ou então não. Vivemos numa sociedade em que se
destrói o ambiente para publicitar um local e ganhar mais dinheiro com isso. Vivemos numa sociedade que demorou anos e anos a perceber que os homossexuais devem ter os mesmos direitos que todos. Vivemos
numa sociedade em que as pessoas se atiram para a frente dos carros e fingem
ter sido um acidente, só para ganhar dinheiro. Vivemos numa sociedade em que não importa passar fome, desde que se tenha uma casa vistosa, umas roupas catitas,
uns carros topo de gama e uns telemóveis do mais recente que há. Vivemos numa
sociedade em que é raro ver-se um adolescente a dar lugar a um idoso num
transporte público. Vivemos numa sociedade em que o que lidera as empresas, os
tribunais, e até mesmo o governo, é a corrupção e a ganância. Vivemos numa sociedade
em que a hipocrisia é julgada mas, ainda assim, está no topo dos defeitos das
pessoas. Vivemos numa sociedade em que o rabo de uma celebridade é mais falado do que o
facto de se ter conseguido pousar uma sonda num cometa. Vivemos numa sociedade
em que se acha que não há mal nenhum dizer a outra pessoa para se matar. Vivemos numa sociedade que é bem capaz de passar por uma pessoa a fazer mal a outra e continuar a andar, fingindo que nada viu e que nada se passou.
“I mean, why have a civilization anymore if we
no longer are interested in being civilized?”