Ele: Estás feliz? Eu: Porquê isso assim tão do nada? Ele: Pareces ainda mais calada do que o normal. Não disse nada antes porque...


Ele: Estás feliz?
Eu: Porquê isso assim tão do nada?
Ele: Pareces ainda mais calada do que o normal. Não disse nada antes porque podia ser algo do momento.
Eu (sorri): Não te preocupes.
Ele: Posso só perguntar mais uma coisa?
Eu: Podes sim.
Ele: Como consegues esconder tanta coisa atrás desse sorriso lindo?
Eu:

No início do meu primeiro ano universitário conheci pessoas fantásticas. Pessoas com quem estava de manhã à noite e só não nos víamos qua...

No início do meu primeiro ano universitário conheci pessoas fantásticas. Pessoas com quem estava de manhã à noite e só não nos víamos quando íamos dormir. Saíamos de casa juntos, chegávamos a casa juntos. Gostávamos uns dos outros, preocupávamo-nos uns com os outros (muito!), estávamos sempre prontos a ajudar, fazíamos diretas ou pouco dormíamos para tirar dúvidas a quem precisasse, entre muitas outras coisas. Eramos amigos. No entanto, desde dia 30 de junho que não estou nem falo com eles - porque todos nós somos de cidades diferentes - e não sinto qualquer saudade. E, muito sinceramente, acho que não vou sentir…
Pergunto-me se haverá alguma coisa de errado comigo.

És das pessoas mais fortes que alguma vez conheci. Quando começamos a falar não sabia lidar contigo porque eras tão fria, tão reserv...

És das pessoas mais fortes que alguma vez conheci. Quando começamos a falar não sabia lidar contigo porque eras tão fria, tão reservada, tão dona de ti mesma, tão orgulhosa, tão inteligente, tão cuidadosa, tão desconfiada. Mas com o tempo fui derrubando essa tua barreira, mesmo que inconscientemente. E, aos poucos e poucos, deixaste-me entrar na tua vida e nunca mais quiseste que saísse. Não deixarias que isso acontecesse. E mesmo depois disso eu continuava sem saber o que fazer quando falavas dos teus pais ou da tua irmã e da forma cruel como perdeste todos eles, toda a tua família. Estavas sozinha, literalmente sozinha e por tua conta. Trabalhavas, estudavas e sustentavas-te sem qualquer ajuda… tinhas tu 18 anos. Conheci-te nos teus 19 anos, há cinco anos atrás, nos meus 13 anos. E mudaste tanta coisa em mim, tornaste-me numa pessoa melhor… mesmo sem intenção de tal porque gostavas de mim tal e qual como eu era. Fizeste-me crescer tanto e, em troca, eu fiz de ti a pessoa mais feliz que podias ser… mesmo com todo o sofrimento por que passaste. Mas só consegui acreditar que tinha conseguido isso uns anos depois. Sendo tu como eras foi uma conquista ter conseguido fazer parte da tua vida da forma que fiz. Não foi uma amizade de muitos anos, mas foi vivida de uma forma tão intensa que poderia valer por umas décadas. Assim como eu fui a tua primeira e única amiga, também tu foste a minha primeira e única amiga. Ainda o és, ninguém consegue tirar-te esse lugar… por muito que tentem! Porque tu eras especial, eras tão diferente de todos e sempre conseguiste fascinar-me só por seres tu, por seres tão perfeita. Tão minha.
E hoje é só mais um dia em que eu desejo que nunca tivesses ido embora, sem eu saber para onde.

Some years ago… Ava: O que raio é que eu sei fazer? Lilith: Uma coisa que não deverias. Ava: Bem, vou para a cama. Lilith: Nã...

Some years ago…
Ava: O que raio é que eu sei fazer?
Lilith: Uma coisa que não deverias.
Ava: Bem, vou para a cama.
Lilith: Não. Tu fizeste com que eu ficasse.
Ava: Não, não fiz. Eu disse que falávamos noutro dia.
Lilith. Não é isso. Não é ficar no MSN. Tu fizeste com que eu “não partisse” sem avisar.
Ava: E porquê isso agora?
Lilith: Porque foi das melhores coisas que alguém fez por mim. Apesar de ser contra a minha vontade, eu fiquei. Porque gosto imenso de ti e não consigo partir sabendo que ficas cá magoada.

E agora pergunto-te por onde andas e o porquê de teres partido assim, sem avisar. Logo tu, que eras a pessoa mais verdadeira e honesta que podia haver e, mesmo assim, depois de teres dito que não ias embora, foste. Logo tu, que sabias que eu ia morrer um bocadinho por dentro só de saber que nunca mais falaria contigo. Logo tu, que me conhecias o suficiente para saber que eu precisava de saber o porquê. Logo tu, que sabias que eras a minha única amiga e aquela que me ensinou o verdadeiro sentido da palavra “amizade”, como me disseste tantas vezes. Logo tu... que cumprias tudo o que prometias.
I’m still waiting for you. I always will.

Eu nunca soube o que dizer de ti e, no entanto, tenho tido sempre uma enorme vontade de escrever para ti. Quando pego na caneta todas as ...

Eu nunca soube o que dizer de ti e, no entanto, tenho tido sempre uma enorme vontade de escrever para ti. Quando pego na caneta todas as minhas ideias fogem, como se não quisessem ser escritas e, mais tarde, relembradas. É como se todos os meus sentimentos me deixassem e ficasse apenas a tristeza de te ter visto partir. A tristeza de não te ter aqui comigo neste preciso momento. A tristeza de nunca mais poder falar contigo. A tristeza de todas as promessas falsas e quebradas. Sempre imaginei uma vida a teu lado, sempre imaginei que me irias apoiar sempre, sempre imaginei que irias chatear-te comigo quando fizesse algo de errado, sempre imaginei que ias corrigir os meus erros, sempre imaginei que me irias dar os melhores conselhos que alguém podia ter, sempre imaginei que irias ajudar-me sempre que eu precisasse, nem que fosse com meras palavras acolhedoras, embora soubesse que não eram o teu forte. Eu tinha esperança. Tinha muita esperança. E em dois segundos toda essa esperança se foi. E em dois segundos os meus sentimentos entraram em paranoia e eu nem sequer sabia o que sentir. Tristeza? Raiva? Desilusão? Sim, sim, sim. Mas era tudo tão forte que me cortava a respiração. E naquele momento eu tentava acalmar-me, tentava perceber tudo, mas o meu coração batia a mil à hora e eu não conseguia. Não conseguia fazer nada, apenas sentia uma série de emoções e um turbilhão de sentimentos. Havia uma mistura de imagens na minha memória, imagens criadas por mim; imagens essas que eu pensei que algum dia se iriam tornar realidade. E naquele momento eu queria desaparecer, queria ir embora, queria esconder-me num lugar onde ninguém me encontrasse mas, em vez disso, os meus pés ficaram colados ao chão e o meu corpo paralisou. E naquele momento eu queria as duas pessoas mais importantes da minha vida, mas o facto de me ter apercebido que agora havia apenas uma aterrorizou-me completamente. Ainda hoje me pergunto muitas vezes o que fiz de errado para teres ido e deixar-me aqui, embora eu saiba que não fiz nada de mal para que isso acontecesse.

  Eu: Estás bem?   D: Estou sim. Eu: Não, não estás. Na verdade nunca estás… há aí qualquer coisa que anda sempre a mexer nessa tua ...

 
Eu: Estás bem? 
D: Estou sim.
Eu: Não, não estás. Na verdade nunca estás… há aí qualquer coisa que anda sempre a mexer nessa tua cabecinha.
D: Uma das coisas que gosto imenso em ti é que tu és muito sossegadinha, muito caladinha, mas estás atenta a tudo!